Algumas materias sobre radio digital no brasil

Japoneses garantem aparelhos receptores para Rádio Digital no Brasil 16/10/2008
| Redação | Rádio Agência

Tão logo o Ministério das Comunicações defina a escolha do padrão para a
implantação do Rádio Digital no Brasil, as empresas japonesas, fabricantes
dos receptores, garantiram a comercialização dos aparelhos em poucos meses.

A notícia foi dada pelo presidente da Associação das Emissoras de Rádio e TV
de São Paulo (AESP), Edilberto de Paula Ribeiro (foto), que esteve na
semana passada em viagem ao Japão, onde visitou as principais empresas
fabricantes dos receptores digitais nas cidades de Tóquio, Osaka e
Hamamatsu.

O presidente viajou acompanhado do diretor presidente da Ibiquity (detentora
do padrão IBOC), Bob Struble, o vice-presidente da Clear Channel Radio, Jeff
Littejohn, e o diretor da Disney and ESPN Network, Kevin Plumb.

Durante a visita, o presidente da AESP falou sobre os testes do padrão IBOC
(In Band on Channel) realizados no Brasil e sobre o cenário atual do Rádio
brasileiro aos executivos da Yamaha, Sony, Pionner, JVC, Toshiba, Sanyo,
Denso, Onkyo e Kenwood.

Segundo Ribeiro, o setor de radiodifusão tem interesse em saber em quanto
tempo os aparelhos receptores seriam comercializados no Brasil com a
implantação do rádio digital.

"Não adianta adotarmos um padrão digital e investir na transmissão, se não
tivermos os aparelhos receptores. Por isso, é importante saber dos
fabricantes qual o tempo necessário para se produzir ou distribuir os
aparelhos no mercado brasileiro", explicou.

De acordo com ele, as empresas japonesas já produzem e distribuem os
aparelhos receptores nos Estados Unidos onde estão sendo implantadas mais de
1800 emissoras de rádio com o padrão IBOC. Sendo assim, não haveria
problemas em colocar os produtos no mercado brasileiro.

A preocupação dos fabricantes seria a de definir se esses aparelhos seriam
totalmente produzidos no Brasil ou apenas montados com os kits vindo das
matrizes japonesas.

A previsão é de que os primeiros aparelhos sejam vendidos ao custo de U$
100. "Há toda uma questão tributária e de investimentos que será definido
pelos fabricantes, mas eles ficaram animados com a possibilidade da
comercialização dos aparelhos no mercado brasileiro", completou Ribeiro.

A previsão é de que a montagem dos receptores seja feita em até seis meses.
A partir disto as fábricas produziriam os equipamentos no Brasil. No período
que antecede a fabricação, os receptores deverão ser importados pelas
próprias distribuidoras (filiais no Brasil).

A AESP e a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT)
deverão fazer a entrega do relatório final com os testes realizados em
conjunto com representantes da Universidade Mackenzie e da Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel) ao Ministro das Comunicações Hélio Costa, ainda
este mês.

Segundo o presidente da AESP, a escolha do padrão digital a ser adotado
pelas rádios brasileiras pode estar próxima já que a bateria de testes
feitos com os sistemas digitais em São Paulo, Ribeirão Preto e Belo
Horizonte foi concluída satisfatoriamente.

Fonte: Assessoria de Imprensa AESP

==========OPINIÃO DO SINDARC/MT==========

A respeito dessa reportagem vê-se que a ABERT e as demais representações das
Rádios e TV´S comerciais querem a todo custo empurrar goela abaixo o "Padrão
IBOC".

Até os proprios radiodifusores comerciais nao são unanimidades quanto ao
padrão, e o proprio instituto Mackenzie que realizou os testes se nega a
recomendar o padrão iboc sem que antes seja avaliados os demais sistemas

como o DRM (Digital Radio Mondiale) e DAB (Digital Audio Broadcasting).

Portanto é preciso mais do que preciso que pressionamos o governo para
construção da conferencia nacional de comunicação onde poderemos discutir
esse assunto, para que ao povo uma vez mais não seja imposto um padrão
determinado pelos "coronéis da mídia".

Para nos das rádios comunitárias deixo aqui uma reflexão a cada um:

Em mateira lida sobre o tema, me informei que a potência minima para
funcionamento de uma estação digital seria de 300 watts, todos sabem que a
Lei do Radcom só nos permite uma potencia de no maximo 25 watts, além disso
ainda tem o alto custo dos equipamentos para transmissão digital, hoje
financeiramente inacessivel as rádios comunitárias mesmo as mais
estruturadas, então deixo para que reflitam: Como Ficamos? Seremos extintos?
O que fazermos? Aguardo posionamento principalmente das rádios de Mato
Grosso. Pois temos levantado essa questão há tempos e ninguem ainda se
posionou a respeito?

Abaixo reencaminho os textos sobre o assunto já enviado pelo SINDARC/MT SIND. DAS ASSOC. DE RADIOS COMUNITÁRIAS DE MT para
subsidios a analise do texto acima:

Escolha de rádio digital abre polêmica

*26/09/2008 | *Redação - O Estado de São Paulo

SÃO PAULO - O Instituto Mackenzie concluiu os testes sobre o desempenho do
padrão americano de rádio digital Iboc (In Band on Channel, ou HD Radio)
feitos sob a direção do professor Gunnar Bedicks, mas não recomenda sua
adoção pelo Brasil sem que se façam testes comparativos com outros padrões.
Essa é a razão por que o Mackenzie se recusa a assinar o relatório final dos
testes, nos termos solicitados pela Associação Brasileira de Emissoras de
Rádio e Televisão (Abert).

Defensora ardorosa do padrão americano, a Abert insiste na adoção dessa
tecnologia digital pelo Brasil, independentemente de qualquer comparação com
outros padrões. Para tanto, vai elaborar relatório final sobre os testes
feitos pelo Mackenzie e levar o documento ao Ministério das Comunicações.

O Instituto Mackenzie não considera correto nem possível recomendar um
padrão sem conhecer o desempenho dos demais com a mesma profundidade. Os
testes de campo do padrão Iboc foram contratados em novembro de 2007 pela
Abert, e foram acompanhados pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) e pelo Ministério das Comunicações. "Ao fazer esses testes, nossa
missão foi avaliar o desempenho do padrão Iboc, isoladamente, acompanhando
os testes que vinham sendo feitos em várias emissoras em São Paulo, Ribeirão
Preto, Cordeirópolis e Belo Horizonte", diz Bedicks. "Medimos o alcance do
sinal digital em comparação com o sinal analógico, as eventuais
interferências, a qualidade da transmissão e da recepção móvel e fixa, tanto
em amplitude modulada (AM) como em freqüência modulada (FM). Não podemos,
entretanto, recomendar a adoção desse padrão sem compará-lo com outros
padrões europeus, como o DRM (Digital Radio Mondiale) e DAB (Digital Audio
Broadcasting)."

Bedicks reitera que o Mackenzie aprova o objetivo geral de digitalização das
emissoras de rádio. "Mas não pode recomendar o padrão Iboc sem comparar seu
desempenho com o de outros padrões. E não queremos fazer nada de forma
apressada, senão corremos o risco de adotar um padrão que será como a lei
que não pega. Além disso, é bom reconhecer que a digitalização do rádio em
todo o mundo está numa fase incipiente, muito menos avançada do que a TV."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Sr(a)s,

Segue abaixo uma matéria que li e achei muito importante compartilhar com
vcs sobre o Sistema de Transmissão digital IBOC, onde o Engenheiro e
Radiofusor Larry Langford, faz uma analise sobre os problemas de
interferência entre as AM´s nos Estados Unidos causado pela digitalização e
do alto custo da licença de uso do IBOC. Abaixo a matéria na integra.

(Moisés).

*UMA VISÃO: HORA DE ENXERGAR A REALIDADE SIBRE O IBOC *

*16/06/2008*

Como um proprietário e engenheiro que está às voltas com esse negócio maluco
desde os anos 60, creio que posso oferecer algum esclarecimento sobre toda
essa conversa sobre o IBOC.

À primeira vista, parecia que a Ibiquity tinha feito tudo certo. Eles
formaram várias equipes para projetar o esquema digital e conseguiram o
apóio dos radiodifusores mais importantes.

A Ibiquity então projetou uma "máquina de fazer dinheiro" com lucros para os
usuários. Mas, de repente, ouviu-se alta e claramente, como o aviso sonoro
de uma velha máquina de teletipo: Para o AM não está funcionando.

Sim, posso ouvir quem apóia dizer: "Lógico que funciona. Temos apenas de
solucionar os bugs e dar tempo para que se popularize". E eles não perdem
tempo para mostrar o quanto demorou para a FM realmente se tornar popular.

Usar esse fato como referência não é apenas uma burrice, é estupidez.

A referência à FM é "estúpida"

A FM não decolou até que as pessoas exigissem e obtivessem em seus carros,
como padrão de fábrica, (leia-se: "sem custo extra"), auto-rádios que
sintonizasse a faixa de FM.

Você realmente acha que a FM teria se popularizado se os fabricantes de
carros tivessem de pagar uma taxa por cada rádio que fabricam? Vamos
acordar, gente.

E se fosse colocado a FM, reduziria a cobertura da AM? Pioraria o áudio?
Você acha mesmo que os proprietários teriam tolerado uma AM piorada enquanto
esperavam que a FM "decolasse"?

Algumas das maiores empresas do setor estão por trás do IBOC AM e, mesmo
assim, até seu pessoal está dizendo que não está funcionando.

A interferência em estações adjacentes é grave, especialmente em relação às
estações que operam com menor potência, e a Ibiquity quer que toleremos
chiados adicionais de nosso próprio difusor IBOC.

Dediquei-me a ouvir rádio extensivamente na área de cobertura de minha
estação WGTO (910 kHz, 1 kW).

A estação de rádio WLS (890 kHz, 50 kW) fica a cerca de 136 km de distância
para o oeste. A WOKY em Milwaukee (920 kHz, 5 kW) fica mais ou menos à mesma
distância, porém mais para o norte. Ambas estão usando o IBOC, sendo que as
duas estão causando muita interferência em meu contorno de proteção em 905
kHz (890 + 15 kHz = 905 kHz, e 920 – 15 kHz = 905 kHz.)

Sou testemunha de que minha cobertura tem, de fato,sido prejudicada. O
chiado da WLS e da WOKY é claramente audível na maior parte dos rádios de
carro em todo o percurso no meu contorno de 2 mV/m.

O chiado do IBOC me tirou um mercado inteiro que estava no contorno de 1 a 2
mV/m ao longo do entorno do Lago Michigan.

Aqueles que apóiam o IBOC AM dizem que a Ibiquity trabalhará nas falhas e
terá uma solução. A quem eles estão enganando? Se é o equipamento digital
que está causando o chiado no sinal analógico, não há maneira de "consertar"
esse problema. Reduzir o potência digital piorará ainda mais os problemas de
sintonia e alcance.

Ah, sim, me esqueci, estão nos dizendo que a sintonia dos rádios analógicos
precisa ser mais estreitada. Como substituir, agora, todos os rádios que
captam o chiado?

E quanto ao áudio com qualidade telefônica que resulta no maior
estreitamento? Sei que dizem que a maior parte dos rádios AM tem pouca
resposta acima de 4 kHz, mas de fato existe alguma resposta acima de 4 kHz
e, em uma comparação honesta entre um e outro, há uma mudança notável na
qualidade percebida quando você muda a resposta do transmissor
repentinamente de 10 kHz para 5 kHz.

Qualidade telefônica

Não vamos nos esquecer que o ouvido humano é melhor do que qualquer medidor
de áudio na detecção de mudanças de qualidade. Nossa audição também é muito
sensível a sons como o chiado.

Caso você não tenha ouvido, esse chiado soa exatamente como se a sua fonte
principal se tornasse repentinamente fraco e o ruído viesse da parte da
frente do rádio. A maior parte das pessoas pensa que sua potência caiu.

Isto é exatamente o que nós, as pequenas estações AM, não precisamos: uma
percepção de uma recepção fraca.

E eis a maior piada de toda essa confusão. Quem apóia o IBOC diz que agora
podemos voltar a tocar música e ter qualidade de som como a de uma FM,
certo? Mas, nesse meio tempo, temos de estreitar a sintonia do analógico,
para que a música na maioria dos rádios em uso tenha qualidade de som pior
do que antes. Você se lembra por que tantas AMs trocaram para programas
falados, originalmente?

E temos de pagar uma taxa anual pelo privilégio de dar um tiro em nosso
próprio pé?

A Ibiquity está me pedindo que:

· Pague cerca de $25.000 por um excitador IBOC instalado e, a partir daí,
quem sabe quantas taxas aparecerão nos próximos anos;

· Gaste uma pequena fortuna para a "otimização" da minha planta transmissora
de 20 anos de idade para obter bandas laterais perfeitamente simétricas e
largura de resposta suficiente;

· Piore a recepção do meu ouvinte adicionando um chiado horroroso a meu
próprio sinal em um momento em que já estou lutando contra inúmeras outras
fontes de ruídos;

· Reduza minha própria largura de banda para 5 kHz ou menos para permitir
que a transmissão digital funcione; e

· Espere 10 anos para que os rádios de carro se tornem populares enquanto
pago uma taxa a cada ano.

É minha impressão, ou eles acham que somos trouxas?

Em meu artigo anterior sobre recepção IBOC (RW, 2 de agosto de 2006),
observei que o IBOC FM não tem uma qualidade de som tão melhor do que o
analógico adequadamente processado na vasta maioria das situações de
audição, mas que, por outro lado, não prejudica.

O mesmo não pode ser dito com relação ao IBOC AM. Ouvi estações locais de
Chicago logo que o IBOC recebeu permissão para funcionar à noite. Não foi
agradável. Mesmo na cidade, era difícil manter a sintonia.

O sinal da rádio mudava do analógico para o digital a cada dois minutos. A
AM 1000, WMVP (WCFL para nós, os veteranos) nunca conseguiu fazer funcionar
corretamente seu sistema de transmissão de três torres, e me informaram que
eles gastaram milhões em uma reconstrução.

A Ibiquity devolverá o meu dinheiro se não for possível fazer meu sistema de
transmissão funcionar? As únicas que saem ganhando, nesse negócio de IBOC,
são as grandes empresas que terão êxito em HD2 e HD3 em FM. Para nós, os
pequenos da AM, é apenas mais uma pedra no sapato.

Só posso esperar que Detroit tome uma atitude dura contra as taxas de
licença da Ibiquity. Talvez os contadores de dinheiro da Ibiquity nunca
perceberam que sem o IBOC, como equipamento padrão no painel do carro,
poderiam esquecer.

Se eles esperam que eu pague uma taxa anual enquanto prejudico meu próprio
som para os ouvintes analógicos, que serão a principal audiência durante
muitos anos ainda, eles enlouqueceram de vez.

Um engenheiro de rádio de Chicago que foi um dos meus mentores deu a melhor
definição: "IBOC FM é porcaria científica. IBOC AM é ficção científica".
Qualquer dono de estação pequena de AM que aceitar isso está arrumando sarna
para se coçar, dor de cabeça e uma enorme decepção.

Agora acho que sei por que a FCC nunca adotou o padrão de receptor NRSC 10
kHz como obrigatório para os fabricantes. Os caras da Ibiquity sabiam que o
rádio NRSC mais largo tornaria a eventual introdução da AM em
alta-definição, ainda, mais difícil.

Recepção periférica

Então, eles provavelmente fizeram lobby contra o padrão de banda larga.
Agora que o IBOC AM está aí, os engenheiros corporativos de algumas das
grandes empresas que apóiam o IBOC estão liderando a demanda por um sério
estabelecimento de banda estreita. Hmm, alguma coisa não me cheira bem, de
novo. Estas são algumas das mesmas pessoas que disseram que a banda larga
padrão NRSC seria a salvadora do fornecimento pela AM de som com qualidade
de FM.

Você percebe que o padrão NRSC nos teria proporcionado rádios com uma
passagem de áudio de mais ou menos 7.5 kHz?

Lógico, poderíamos ter usado uma chave para estreitar a banda na recepção
periférica, e que, em sua maior parte, o padrão NRSC teria nos proporcionado
rádios com ótima qualidade de som em áreas onde ocorre a maioria da
audiência local de AM. E os rádios padrão NRSC ficariam livres de atraso.

Não me diga que a banda larga não pode ter boa qualidade de som. Tudo
depende do receptor.

O rádio do carro Ford Crown Victoria para o modelo do ano 2001 é um ótimo
exemplo de áudio em AM com "qualidade de FM" de estações que ainda estão
transmitindo áudio em padrão NRSC. E não podemos nos esquecer do SuperRadio
GE. Ele ainda está em produção e tem ótima qualidade de som em níveis acima
de 2 milivolts.

Esperávamos que não fosse possível misturar IBOC e banda larga, mas agora
ficou claro que mesmo a largura de banda normal em AM é larga demais. Assim,
agora devemos realmente estreitá-la, o que prejudicará muito o analógico.

Você acha que a NAB (Associação Nacional de Radiodifusores) está se
movimentando para transformar as estações de AM em FM independe de problemas
com o IBOC AM? Você acha que a demanda por uma redução ainda mais abrupta de
receptores de AM independe de problemas com o IBOC AM? Está na hora de parar
os primeiros-socorros e encarar: o paciente IBOC AM está morto.

*Por Larry Langford, 19.12.2007 *